Newsletter pode ser eficaz para falar com o seu público

Há quem diga que ninguém mais lê e-mail. E basta olhar para a própria caixa de entrada para quase concordar com essa ideia.

Hoje, as pessoas recebem mensagens de empresas por WhatsApp, acompanham marcas nas redes sociais, consomem vídeos curtos e recorrem à inteligência artificial para encontrar respostas. Ainda assim, por incrível que pareça, a newsletter continua firme como um espaço próprio, principalmente na comunicação corporativa e no ambiente de quem toma decisões de negócio.

Por quê?

A resposta está no fato de que quem a recebe decidiu abrir espaço para aquela empresa na própria caixa de entrada.

As redes sociais e os canais de mensagem são ótimos para imediatismo e alcance, mas você não é ‘dono’ daquela audiência. A newsletter, por sua vez, é um canal próprio, direto e muito mais intimista

A força do formato está justamente na possibilidade de criar um momento de leitura menos disputado. Atualmente, com o excesso de estímulos e conteúdos rápidos, ela permite mais foco, curadoria e distância da ‘barulheira’ do feed.

Newsletter ou e-mail marketing?

Essa escolha deve priorizar as necessidades da empresa ou da pessoa. A diferença está principalmente no objetivo de cada comunicação.

Newsletter   E-mail marketing
Foco em conteúdo e relacionamento     Foco em conversão e venda
Envio periódico    Pode ser pontual ou fazer parte de uma     campanha
Notícias, análises e artigos    Ofertas, lançamentos e promoções
Busca criar hábito de leitura   Busca gerar uma ação
Pode trabalhar autoridade  Geralmente trabalha aquisição ou conversão

O e-mail marketing é focado em conversão e transação imediata, como uma promoção, um lançamento, uma oferta de produto ou serviço. Ele quer que a pessoa clique e compre.

Já a newsletter pode ser usada para construir comunidade, se posicionar como referência no mercado e manter um ponto de contato constante e qualificado com seus clientes, parceiros ou lideranças.

Este tipo de informativo é importante para empresas?

Sim, quando existe um público interessado, conteúdo para compartilhar e uma frequência que a organização consegue manter.

O principal valor está na construção de relacionamento. O boletim corporativo é focado em relacionamento, autoridade e conteúdo. Ele entrega valor, reflexão, informação e contexto, sem tentar ‘vender’ algo o tempo todo.

Por isso, faz sentido para empresas que precisam conversar regularmente com um público profissional, explicar mudanças do mercado, divulgar conhecimento ou manter uma comunidade próxima.

Também existe uma outra vantagem. A companhia não vai depender exclusivamente do alcance de uma rede social para chegar ao seu público.

Quando se deve optar por essa via de comunicação?

O informativo digital serve para quem tem algo que o público queira acompanhar regularmente.

Antes de criar um, vale responder:

  1. Quem vai receber?
  2. Que informação essa pessoa espera encontrar?
  3. Com que frequência existe conteúdo suficiente para enviar?
  4. A empresa consegue produzir esse conteúdo com qualidade?
  5. Qual será o objetivo da publicação?

O público vem primeiro.

O ponto de partida é sempre a audiência, o que essas pessoas precisam saber, quais dores elas têm no dia a dia. A partir daí, os objetivos da marca são alinhados com os interesses do leitor.

Para elaborar a News, a capacidade de produção, a consistência e os formatos disponíveis na hora de definir o planejamento são definidores.

Há risco do informativo digital ser desnecessário?

Uma newsletter não precisa existir só porque toda empresa tem uma.

Ela pode ser desnecessária quando não existe conteúdo suficiente, quando o público não demonstra interesse ou quando o envio virou apenas uma repetição de informações que já chegam por outros canais.

Outro sinal de problema aparece quando se trata a newsletter como um mural de avisos.

Por isso, um dos principais erros é um gerente, por exemplo, falar só de si mesmo e não perceber o boletim como canal de conteúdo para o leitor.

Nessa direção, alguns problemas frequentes são:

  • falta de constância ou excesso de envios;
  • textos gigantes e cansativos;
  • conteúdo sem tópicos e sem síntese;
  • uso de clickbait

A pergunta, portanto, não é apenas “devemos ter uma newsletter?” É também “temos algo que vale a pena enviar?”.

Afinal, o que o leitor quer encontrar?

Certamente, há três elementos que são decisivos para que o boletim informativo tenha sucesso, que são um conteúdo que interessa ao público, uma linguagem humana e um bom design.

A linguagem é central, porque ninguém quer ler um texto assinado por um ‘robô corporativo’ regido por uma inteligência artificial superficial. O texto deve ser próximo, fluido e ter personalidade. O leitor deve identificar-se com o que lê e perceber a curadoria da marca de quem envia.

O terceiro ponto é visual. Parágrafos curtos, bons destaques e uma organização que facilite a leitura ajudam a entender rapidamente o conteúdo.

O que estrutura um conteúdo atrativo?

Criar uma newsletter corporativa exige mais do que escolher uma ferramenta e apertar o botão de envio.

Um processo simples pode seguir estas etapas:

  1. Defina o público

Não tente escrever para todo mundo. Identifique quem receberá o conteúdo e quais assuntos interessam a esse grupo.

  1. Escolha a proposta

O informativo pode ser um resumo de notícias do setor, uma seleção de artigos, uma publicação institucional ou uma combinação desses formatos.

  1. Monte uma linha editorial

Defina os assuntos que podem entrar, os que ficam de fora e o tom utilizado na comunicação.

  1. Estabeleça uma frequência

Pode ser semanal, quinzenal ou mensal. O importante é que a empresa consiga manter o ritmo sem sacrificar a qualidade ou saturar o público.

  1. Organize o conteúdo

Use títulos, subtítulos, imagens, links e blocos curtos. O leitor precisa conseguir escanear a publicação rapidamente.

  1. Revise antes do envio

Erros de texto, links quebrados e informações desatualizadas comprometem a experiência.

  1. Acompanhe os resultados

Observe abertura, cliques, descadastros e outros indicadores para entender o comportamento dos leitores.

Quais são as melhores plataformas de envio?

A ferramenta deve ser escolhida de acordo com o tamanho da base de contatos, recursos desejados, automações e tipo de publicação.

Plataforma                     Perfil             Destaque
Substack Autores, especialistas e publicações independentes Facilidade para publicar e criar uma base de assinantes
Mailchimp Empresas de diferentes portes Campanhas, automações e métricas
RD Station Empresas com operação de marketing mais estruturada Automação e integração com estratégias de marketing

A plataforma, porém, atua para auxiliar a newsletter, mas ela precisa ter um conteúdo adequado desde o início. Uma ferramenta sofisticada não compensa uma publicação que não interessa ao leitor.

Newsletter ainda apresenta bons resultados?

Os números indicam que o e-mail continua gerando interação, embora as métricas variem bastante conforme setor, base e método de medição.

O benchmark da Mailchimp atualmente apresenta, para todos os usuários, 35,63% de abertura média e 2,62% de taxa média de cliques. No segmento de negócios e finanças, os índices são de 31,35% e 2,78%, respectivamente.

Outro levantamento de 2026 da Brevo, baseado em dados agregados de mais de 50 mil clientes ativos, aponta que a pressão sobre as caixas de entrada aumentou e que o excesso de envios pode reduzir o desempenho dos canais.

A empresa recomenda observar especialmente a taxa de cliques, que considera um indicador mais próximo da intenção do leitor.

Ressalva-se ainda que a taxa de abertura não deve ser analisada sozinha. Recursos como o Mail Privacy Protection da Apple podem registrar aberturas automaticamente. A própria Brevo informa que seus relatórios podem incluir essas aberturas e atividades de bots, o que interfere na leitura dos números.

Por isso, uma newsletter com 40% de abertura não é automaticamente melhor que outra com 30%. É preciso observar quem recebeu, o setor, o tamanho da base de clientes, os cliques e o objetivo da publicação.

E como a Smartcom pode ajudar a sua empresa?

Para a Smartcom, não se trata do disparo de e-mail ou de preparar os informativos como uma publicação editorial.

O trabalho envolve planejamento, apuração, redação, entrevistas com fontes internas e especialistas do cliente, edição e revisão. A equipe também acompanha abertura, cliques e engajamento para fazer ajustes nos conteúdos seguintes.

A diferença está justamente nesse processo. A publicação é construída para atender aos interesses de quem vai recebê-la.

AHK Paraná mostra como uma newsletter pode criar hábito de leitura

Um dos projetos que desenvolvemos é a newsletter da AHK Paraná, produzida quinzenalmente para a comunidade de associados.

O informativo, que também fica disponível no site da instituição, reúne assuntos ligados ao ecossistema de negócios Brasil-Alemanha, com pautas sobre comércio bilateral, inovação, sustentabilidade e eventos da instituição.

O público é formado principalmente por executivos, empresários, lideranças e associados da Câmara e o principal aprendizado desse trabalho está no equilíbrio entre os assuntos e na seleção do que merece entrar em cada edição.

Por ser um público muito qualificado e atarefado, o informativo precisa ir direto ao ponto, dividindo o conteúdo em blocos bem claros e visuais. O resultado é uma publicação quinzenal pensada para acompanhar a rotina de empresários que têm pouco tempo disponível para ler.

No caso da Andersen Ballão Advocacia, a newsletter informa sobre Direito

Outro projeto da Smartcom é desenvolvido para a Andersen Ballão Advocacia. O escritório mantém uma newsletter mensal há mais de uma década. Em dezembro de 2024, a própria ABA registrou a marca de 140 edições, além de 46 informes extraordinários publicados naquele ano para tratar de mudanças legislativas e outros assuntos jurídicos urgentes.

A publicação reúne análises e artigos produzidos por especialistas de diferentes áreas do escritório, além de destaques da banca na assessoria de imprensa, também realizada pela Smartcom. O site oficial da ABA mostra a continuidade da newsletter, com novas edições publicadas ao longo do ano.

Para uma banca jurídica, esse formato atende o desejo de acompanhar mudanças legais que afetam empresas e transformar conhecimento técnico em informação acessível para clientes e parceiros.

É um exemplo de como uma newsletter pode sobreviver por muitos anos quando existe uma demanda contínua por informação e uma base interessada em recebê-la.

O que muda com a inteligência artificial?

A inteligência artificial tornou a produção de conteúdo mais rápida e a internet ainda mais cheia de textos, resumos e respostas produzidos em poucos segundos.

O impacto dessa nova realidade é o aumento do valor de informativos eletrônicos feitos por especialistas.

Com a IA gerando um volume gigante de conteúdo genérico, o papel da newsletter agora é justamente o de filtro de qualidade. O leitor vai buscar cada vez mais publicações que ajudem a interpretar os acontecimentos, que informem o que aquilo significa sob a ótica de especialistas em quem elas realmente confiam.

Esse ponto explica por que uma newsletter corporativa continua funcionando mesmo com tantas opções de informação disponíveis.

Afinal, newsletter ainda vale a pena?

Sim, mas não por obrigação.

Ela vale a pena quando existe um público definido, uma pauta que merece ser acompanhada e uma equipe capaz de produzir conteúdo com frequência adequada e qualidade estratégica.

Sabemos que a caixa de entrada já está cheia. A questão não é ocupar mais espaço nela, mas fazer o leitor pensar que aquele e-mail mereceu estar ali.

Tire suas dúvidas sobre newsletters

O que é uma newsletter?

É uma publicação enviada periodicamente por e-mail para pessoas que se cadastraram para receber conteúdos sobre determinado assunto, empresa ou setor.

Como fazer uma newsletter?

Defina o público, escolha os assuntos, estabeleça uma frequência, produza os conteúdos, organize o layout, revise e acompanhe as métricas após cada envio.

Toda empresa precisa ter uma newsletter?

Não. A newsletter faz sentido quando existe conteúdo frequente e um público interessado em recebê-lo.

A newsletter é paga?

Pode ser gratuita ou paga. Empresas costumam oferecer newsletters gratuitamente para clientes, parceiros e interessados. Plataformas como o Substack também permitem que autores criem publicações por assinatura.

Com que frequência uma newsletter deve ser enviada?

Não existe uma frequência universal. Semanal, quinzenal e mensal são formatos comuns. O ideal é escolher um ritmo compatível com a quantidade de conteúdo disponível e com o interesse do público.

 

 

Picture of Julia Abdul-Hak
Julia Abdul-Hak
Assessora de Imprensa e coordenadora de equipe na Smartcom
WhatsApp
LinkedIn
Email
Facebook
Twitter

Vamos iniciar o projeto?

Agência especializada em inteligência
de comunicação 4.0

Escritório Brasil

Escritório Alemanha